Data de publicação: 11/11/2011
Casar não é assinar papel
O momento do “sim” é o mais importante, saiba o motivo

Recentemente soube que uma colega não pode celebrar um casamento numa luxuosa casa de festas, pois na hora em que perguntou ao noivo:”José, você aceita a Maria como sua legítima mulher, é de sua livre e espontânea vontade?” o garboso rapaz, ligeiramente alcoolizado, respondeu um sonoro NÃO.
Minha colega olhou para o oficial, determinou que ele fechasse o livro, e partiu em retirada. Daquele momento em diante, outra fonte me informou que a noiva chorava copiosamente, os pais da moça partiram para cima do noivo, exigindo explicações, os convidados ficaram perplexos, alguns que estavam desatentos não entenderam nada. Resultado: a festa simplesmente não aconteceu. Pois saibam, caríssimos, a Juíza de Paz agiu com a mais absoluta correção.
A incidência de casamentos celebrados fora da sede pelos Juízes de Paz aumentou há pouco tempo, até então, a maioria casava na igreja, e como tanto os padres, como os pastores, os rabinos e os demais líderes religiosos não tem autoridade para oficializar casamentos, o momento das assinaturas é mesmo muito importante, uma vez que aquele documento terá que ser validado pelo cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais onde tramitou o processo de habilitação para o casamento.
Por isso, muitos ainda pensam que casar é assinar papel. Ledo engano, casar é manifestar a vontade perante a autoridade que, por dever legal, só poderá declarar: “De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar, perante mim, de vos receberdes por marido e mulher, eu, Lilah Elisabeth do Espírito Santo Wildhagen, em nome da Lei, vos declaro casados”, depois da certeza da vontade de ambos. Assim, se imediatamente após a declaração a noiva olhar para o noivo ponderando que não rima com ele, sair correndo da casa de festas, sem sequer assinar o livro do cartório, fugirá casada.
Lilah Wildhagen é juiza de paz.